Introdução A questão do livre-arbítrio de Adão e Eva está diretamente relacionada à compreensão da condição humana antes da queda e à natureza da criação de Deus. Para compreender esse tema, é necessário distinguir o conhecimento acerca do bem e do mal da consciência acerca do certo e do errado, bem como compreender as consequências …
Introdução
A questão do livre-arbítrio de Adão e Eva está diretamente relacionada à compreensão da condição humana antes da queda e à natureza da criação de Deus. Para compreender esse tema, é necessário distinguir o conhecimento acerca do bem e do mal da consciência acerca do certo e do errado, bem como compreender as consequências da desobediência registrada em Gênesis.
Adão e Eva tinham livre-arbítrio?
Sim. Adão e Eva não estavam desprovidos de conceitos em relação à ética, à moral e à consciência. Não se deve confundir ciência de bem e mal com ciência de certo ou errado. Isso porque bem e mal dizem respeito à natureza das coisas, enquanto certo e errado dizem respeito à natureza das ações.
Também o fruto, em si, nada tinha. O mal que penetrou no homem e no mundo foi fruto da atitude contrária à ordem de Deus.
O fato de Eva ter sido enganada não altera o livre-arbítrio, mas apenas o influencia. No entanto, nenhuma influência é determinante, e nenhuma sugestão é maior do que o poder da própria vontade.
Adão era perfeito?
Toda deficiência e imperfeição surgiram depois da queda, e jamais antes. Isso porque toda a criação de Deus foi perfeita.
As punições de Gênesis tiveram implicações físicas e espirituais, pois atingiram a natureza de toda a criação. A consequência da morte, inserida no contexto do mundo e da vida humana, foi demonstrada nas “alterações” que se seguiram à criação e à criatura após a queda.
A criação, representada pela terra, passou a produzir cardos e espinhos. A criatura, representada por Adão e Eva, recebeu a dor e o sofrimento: o homem em seu sustento e a mulher em sua conceição. E a serpente, na representação do mal, foi lançada à parte mais baixa, no chão, no pó, na queda.
Portanto, tanto o homem como até mesmo o próprio Satanás (Ez. 28:15) eram perfeitos quando foram criados, e somente após a rebelião e a desobediência é que ambos, juntamente com a criação, se deterioraram.
A Bíblia é clara em dizer que Deus criou o homem reto:
“Deus fez o homem reto…”
Eclesiastes 7:29
O termo hebraico traduzido por “reto” é yashar, cujo significado é: íntegro, reto, justo, perfeito. O mesmo termo é atribuído ao próprio Deus em muitas outras referências, como o Salmo 33:4, por exemplo.
Portanto, todo o contexto dos primeiros capítulos de Gênesis, como também muitas outras referências posteriores, dão conta do óbvio acerca da perfeita criação de Deus, até que a queda tudo mergulhou na imperfeição, deficiência e iniquidade.
Conclusão
Assim, a compreensão da condição de Adão e Eva antes da queda aponta para uma criação originalmente perfeita e para seres humanos dotados de vontade e consciência. O engano de Eva não eliminou seu livre-arbítrio, mas exerceu influência sobre ele; a decisão contrária à ordem de Deus, por sua vez, trouxe consequências que alcançaram não apenas o homem, mas toda a criação.
A queda, portanto, marca o momento em que a imperfeição, a deficiência, a dor, o sofrimento e a morte passam a fazer parte do contexto da criação, enquanto a condição original era de perfeição.







